A propósito de «A morte dos mitos»

by offarinha

Acabado de chegar de uma última e comovida homenagem a Eusébio, não posso de deixar de considerar insuficiente – por excessivamente benévola – a abordagem que o meu camarada de blogue faz da intervenção de Mário Soares. O que o dito senhor afirma deveria figurar sob o título «Contributos para a elucidação da pequenez e mediocridade humanas».

Convém dizer de uma vez por todas: i) Mário Soares é malcriado. Não bebeu chá na proporção do whisky que insinua que Eusébio bebia. É pena, quer tivesse salutarmente optado por uma ou por outra bebida. Porventura, ter-se-á dedicado em demasia às beberragens chilras que o jacobinismo republicano, socialista e laico usa nos seus ágapes. ii) A sistematicamente auto-proclamada e mediaticamente reproduzida cultura humanística de Mário Soares não passa de um conjunto de lugares comuns incipientes legitimado pelos semiletrados que pontificam por aí. Esta superficialidade tolerada e mascarada de conhecimento não é de hoje: debita alegre e impunemente as mesmas banalidades pomposas e vazias e vulgares há decénios. iii) O aclamado génio político de Mário Soares aparece sempre (e sobretudo quando lhe convém) a reboque de uma sobranceria puritana e moralista. Seria interessantíssimo recuperar o argumentário de Soares e da excelsa esposa Maria Barroso a propósito da ligação entre Sá Carneiro e Snu Abecassis. Eis um desafio à D. Bárbara e às televisões, bem como aos comentadores da esquerda das causas fracturantes e da Aula Magna.

Há coisas que são sempre lamentáveis e de evitar. Sobretudo quando disfarçadas de outras coisas. A idade – real – e o passado – mais ou menos ficcional – não podem continuar a desculpar as figuras tristes. Os insultos, a boçalidade, a arrogância e o ranço devem ser tomadas por aquilo que são: mediocridade e pequenez e nada mais. Soares náo se tornou apenas naquilo que é. É apenas o que é e sempre foi, não merecendo, por isso, respeito ou desculpa ou atenuante de qualquer espécie para o seu esgoto verbal.

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