Luto

by jfc

Os centos de comentadores dirão o que se espera que digam. Os comentadores, os políticos, a gente da «bola» e fora da «bola». Eusébio foi suficientemente celebrado em vida para que não falte o que dizer sobre ele. A mim, que privei com ele desde as primeiras cadernetas de cromos, a morte de Eusébio deixa-me definitivamente noutra idade. Recordar-se-á, mais uma vez, que no tempo dele as coisas no futebol não eram como são hoje, que nunca ganhou os milhões que hoje poderia ganhar. Mas esse é um discurso espúrio: Eusébio não foi o que não poderia ter sido. Eusébio foi, plenamente e sem restrições, força e ânimo. Poderia acrescentar sacrifício e coragem. Teria de acrescentar Sport Lisboa e Benfica. Teria de acrescentar ainda Portugal. Esse é o legado de coisas mais ou menos caídas em desuso que Eusébio construiu com a inteligência do instinto e com grandeza de alma. E é esse, porventura, o seu grande legado.

PS.: Ah, e outra coisa: ou põem o Sr. Eusébio da Silva Ferreira no Panteão Nacional, ou tiram de lá a Sr.ª Dona Amália.

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