Mário Soares e as salinas do Samouco

by offarinha

A atitude recente face às diárias intervenções de Mário Soares oscila entre o faz de conta do «temos de ter em conta os serviços prestados num passado longínquo…» e a indulgência disfarçada de «o pobre velhinho está definitivamente gágá». Como se trata de intervenções políticas, com antecedentes mais ou menos remotos, é preciso salientar: a má criação acanalhada da criatura (vide o caso do Parlamento Europeu); o facto de ter sido sistematica e, nalguns casos, humilhantemente derrotado em eleições democráticas (diferentes daquelas que o seu amigo Chavez promovia); a gravidade penal de algumas das suas intervenções, decerto ignoradas à conta de uma presumível inimputabilidade; o mau gosto e a ética mais do que duvidosa de muitas outras (relevadas pelos nossos meios de comunicação social, sempre paspalhos na sua incomensurável ignorância e subserviência, em relação a estas manifestações que tomam por ademanes blasés e aristocráticos). Por mim, o único travão ao tratamento que merecia encontro-o na estima pessoal por alguém do seu círculo familiar próximo.

Mas isto não permite ignorar um facto decisivo. A Fundação Mário Soares, através do Orçamento calamitoso que ele verbera e que foi apresentada pelos tais «delinquentes», concede-lhe 210 mil € no próximo ano através do Ministério dos Negócios Estrangeiros (o do tal «tipo» que devia ser julgado)! Mais: entre 2008 e 2014 a inestimável Fundação receberá a verba total de 1,8 milhões de €. Não se percebe bem para quê, mas também não importa. O MNE lá saberá das linhas com que se cose e, entre tais linhas, decerto figura a apresentação e promoção do livro de Sócrates. Resta salientar que, por uma vez, estamos de acordo. Como é possível tal Orçamento, tão selectivo nos cortes e nas generosidades que promove?!

Uma pergunta final: o que dará de insubstituível a Fundação Mário Soares ao país (para além do livro de Sócrates, claro) que a Fundação para a Proteção e Gestão das Salinas do Samouco não desse. É que esta última foi extinta e, tanto quanto sei, ninguém sentiu a sua falta. Excepto aqueles que viviam à conta dela mas esses, pelo menos, nunca ninguém deu por eles.

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