Os pancrácios ex-presidenciais

by offarinha

Nas últimas vinte e quatro horas fomos submetidos à calamidade de duas entrevistas a dois ex-Presidentes da República. Pode-se especular acerca das razões que proporcionaram esta coincidência mediática (em boa verdade, a coincidência só se aplica ao dr. Sampaio, uma vez que as invectivas entarameladas do patético dr. Soares são diárias). O que fica, porém, das inanidades debitadas por ambos é a habitual desonestidade intelectual e política (ai , dr. Sampaio, essa defesa do tribunal do nosso Joaquim nos termos em que a fez…), a insistência na substituição da realidade pelas generalidades de uma ideologia vagamente socialista, os laivos de pura estupidez acerca do Estado social e, finalmente, o espírito de seita que, para além do gosto pela intriga e do cultivar dos respectivos clãs, sempre caracterizou os socialistas portugueses quando toca a reunir (a ideia jacobina de querer julgar os membros deste governo, vinda do dr. Soares agora doublé de Robespierre do Campo Grande, amigo do peito e defensor do impoluto engenheiro-mestre-em-filosofia-política, é impagável). Incomodativo pelo excesso e pela repetição mas, como se vê, nada de original tendo em conta os entrevistados.

Por respeito aos nossos leitores, e para lhes evitar o previsível fastio, dispensámo-nos de, ao contrário do habitual, colocar os links para as referidas entrevistas. É que recordámos as palavras imorredoiras do actual PR, também em entrevista recente: «Não somos ma-so-quis-tas!» Pensando bem, a história da nossa República tem-nos proporcionado linhagens presidenciais assombrosas. Há um título de José Rodrigues Miguéis que me ocorre sempre nestas ocasiões – Pouca sorte com barbeiros.

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