Notas autárquicas

by offarinha

1)  Os partidos: Olhando para os resultados disponíveis, o PSD (e a direita no seu conjunto) perde mas, atendendo  aos 31,5% obtidos nas actuais circunstâncias económicas, os gigantescos disparates políticos e alguns dos indescritíveis candidatos propostos, não perde por cabazada. O PS ganha mas, com os seus 36%, as suas câmaras mantidas (sobretudo Lisboa) e ganhas, as que perdeu e as que esperava ganhar e não ganhou, não dá nenhuma cabazada. O CDS ganha à tangente. O PC, esse é o único a ganhar com consistência. O BE perde por falta de comparência.

2) As figuras patéticas: O comentador Seara (sempre tão efusivo e ontem tão bisonho); o inacreditável vice-presidente Pedro Pinto (que humilhação, por pouco o PC não lhe passava à frente…); o kalimero Menezes (quando é que ele vai chorar desta vez?); o ex-agente Moita Flores ( tão telegénico, ontem não se lhe ouviu um pio); o Jardim da Madeira (com os dias contados); aquele Pizarro do Porto (mas quem é que capaz de ouvir este tipo sem se rir?); o camaleónico Basílo (ainda se lembram da sua elegância na campanha presidencial contra Soares?) que, ouvi eu hoje de manhã, «quer abrir Sintra ao mundo» (aguardamos ansiosamente o que o Mundo tem a dizer acerca desta desafiante proposta); o ambientalista Moreira da Silva (as escolhas que patrocinou foram tão judiciosas quanto as provas irrefutáveis do aquecimento global); e o vitorioso para-si-mesmo Semedo e a sua partenaire tão ausente quanto Moita Flores. Jerónimo de Sousa, esse pareceu que perdera de novo, mantendo inalterado o discurso que deve ter ido buscar aos arquivos de Cunhal (isto é que é consistência ideológica!).

3) As figuras sinistras: Azeredo Lopes (aquele senhor que presidiu à ERC durante os governos Sócrates e que tantos fretes lhe fez) atrás do independentíssimo Rui Moreira; o sr. Albino ( o tipo das Associações de Pais, o mais estrénuo defensor de Maria de Lurdes Rodrigues) ao lado do Presidente de Gaia; o pato bravo Manuel Salgado, sempre sempre ao lado (e atrás e em cima e na diagonal) de Costa; e o presidiário Isaltino, verdadeiro Presidente da Câmara mais letrada e rica do país.

4) As figuras desconhecidas: Quando as televisões passaram para os festejos da candidatura do novo (e antigo) Presidente da Câmara de Matosinhos, a populaça gritava «A-de-li-no! A-de-li-no!» e, logo de seguida, o autarca vencedor discorreu longamente acerca da sua alegria por ver eleita a «Dra. Palmira».

5) Os figurões: Os manos Costa, o da Câmara (ainda e até ver) e o da SIC/Expresso/Visão a trabalharem como uma verdadeira família (comovente!); Fernando Medina que, na sombra, procura chegar à Presidência seguindo os preceitos da ética republicana e socialista já testados por Jorge Sampaio e por Soares Filho; Rui Rio que, interrogamo-nos, será desta que se chega à frente?; e Paulo Portas, criador de um novo conceito em Ciência Política, o da clandestinidade eleitoral selectiva: fala-se efusivamente de umas Câmaras com a dimensão de freguesias em que se ganha, de outra -grande- em que se concorre a reboque, e ignoram-se as demais hecatombes.

6) A cintura da capital:  O capo mafioso de Oeiras a gerir em nome do Padrinho; o tal que quer abrir Sintra ao país e ao Mundo (já imaginaram como é que vai ficar o trânsito no IC 19?); e o novo Senhor de Loures, adepto fervoroso e confesso das maravilhas da democracia norte-coreana. Tranquilizante, não?

7) O protesto visto pela imprensa: A excitação da comunicação social em torno das candidaturas independentes sem se interrogar acerca da medida e das motivações de tais independências, representa a nova moda que veio substituir, entre os «Palma Cavalões» de serviço, os anteriores entusiasmos à volta do BE. As redacções arranjaram um brinquedo novo, o que já fora percebido pelo Pastor Louçã e que ontem Semedo reconheceu, com ar de queixinhas impotente, na brutalidade das suas consequências (a partenaire, sempre muito pespineta, emudeceu!). A ver vamos como serão analisados os 47,5% de abstenção+3% de votos nulos+3,9% de votos brancos, o que perfaz cerca de 54,5% do eleitorado (dados disponíveis no momento em que escrevo). No caso dos votos brancos e nulos (os números para as Assembleias Municipais são particularmente impressionantes), estamos a falar de mais de três centenas de milhar de eventuais «protestantes». Quantos votos é que teve o BE?

8) Um país muito moderno: Dezasseis horas depois do encerramento das urnas ainda não estão disponíveis resultados definitivos, ao que dizem por causa de problemas de comunicação. Pelas quatro da manhã parece que foi tudo descansar, que o país é muito grande e a coisa deve ser feita à base de transmissão por pombos correios. O que terá a CNE a dizer sobre este assunto?

Apostila: O tipo do cartaz abaixo não só ganhou com maioria absoluta, como reforçou a votação. Quando se trata de assuntos sérios, a malta não brinca…

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