Os direitos constitucionais (só) do funcionário público

by offarinha

A imprensa tem feito manchetes arrepiantes com o facto de os funcionários públicos em regime de mobilidade poderem perder até 60% do seu salário. O assombroso, porém, é que alguém que não está a fazer nada possa receber os 40% remanescentes até se reformar. E até, caso consiga arranjar outro emprego, acumular os dois vencimentos!

Outra das manchetes, esta recorrente por esta altura do ano, diz respeito à iniquidade de 30.000 professores não terem sido colocados pela prosaica razão de não terem ocupação (estes, ao invés e porque não são verdadeiros funcionários públicos, são tratados como os comuns mortais no desemprego, e até desvantajosamente). Já não mencionam as centenas de profesores que estão colocados sem terem uma única turma para leccionar, ou os milhares no topo da carreira que dão dez horas de aulas semanais (o resto do tempo é ocupado com inutilidades várias), ou outros milhares que têm uma ou duas turmas e ocupam os restantes vagares em vacuidades como bibliotecas, projectos tão vagos como absurdos e outras inanidades avulsas. Toda esta gente é constitucionalmente remunerada no fim do mês.

Não há por aí, entre quem trabalha no sector privado, entre desempregados, bem como entre os que, tendo ficado desempregados se tivessem virado para poder viver, um grupo a quem apeteça cantar a Grândola?

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