Cheque-ensino? Sim, talvez… Não, pensando melhor, nem pensar

by offarinha

Soube-se hoje que o Ministério da Educação estaria aberto a discutir o cheque-ensino. Um cidadão, já muito escaldado, começa por reagir a quente: trata-se de mais uma notícia da silly season – então o Doutor Crato não se dedica exclusivamente a regular coisas parvas com os nogueiras sindicais e as fraldiqueiras das escolas? Depois tem um assomo de esperança e esforça-se por acreditar – afinal o Governo diz que é de Direita e estão sempre a acusá-lo de ser liberal. E sorri a medo: será que finalmente (Jesus, Senhor! Ao fim de tanto tempo perdido e de tanta imbecilidade!) se vão começar a discutir coisas sérias na 5 de Outubro que não tenham apenas a ver com as carreiras dos professores? Depois lê isto e a realidade impõe-se-lhe cruamente. Quando especialistas do calibre de uma Maria de Lurdes Rodrigues, de um Paulo Guinote (para que não subsistam dúvidas e evitar devaneios, a articulista esclarece que o dito «tem estudado bem o tema»), do pai da Confederação dos Pais, da rapaziada da Fenprof e de outras luminárias de valor equivalente, quando, dizia eu, gente assim manifesta tantas e tão originais prevenções, o melhor é mesmo ficar tudo na mesma. Afinal tudo vai, neste como em tantos outros domínios, pelo melhor no melhor dos mundos possíveis. O próprio Ministério, não vá a malta começar a entusiasmar-se, se encarrega de por água na fervura: « fonte do Ministério da Educação afirmou que com a proposta de alteração do regime do ensino particular nada muda em relação às comparticipações do Estado para este sector.» O que, para o caso, tanto faz porque, se assim o não fosse, a coisa passar-se-ia decerto como é descrito neste post divertidíssimo e hiper-realista do Carlos Guimarães Pinto.

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