Estado de direito ou estado de bebedeira

by offarinha

Lê-se isto e não se acredita: «Trabalhar alcoolizado até pode melhorar produtividade, dizem juízes». E elucidam os sábios desembargadores: «“Vamos convir que o trabalho não é agradável”, observam ainda os desembargadores Eduardo Petersen Silva, Frias Rodrigues e Paula Ferreira Roberto. “Note-se que, com álcool, o trabalhador pode esquecer as agruras da vida e empenhar-se muito mais a lançar frigoríficos sobre camiões, e por isso, na alegria da imensa diversidade da vida, o público servido até pode achar que aquele trabalhador alegre é muito produtivo e um excelente e rápido removedor de electrodomésticos”.» E ainda: “Não há nenhuma exigência especial que faça com que o trabalho não possa ser realizado com o trabalhador a pensar no que quiser, com ar mais satisfeito ou carrancudo, mais lúcido ou, pelo contrário, um pouco tonto”.

Será que os senhores magistrados estarão a acautelar situações futuras em que se vejam envolvidos? Ou já estão a reflectir os seus habituais procedimentos de trabalho? E qual será a avaliação de cada um dos meretíssimos? E será relevante o grau de alcoolémia de quem os avalia? Ou o ar que ostentam, um pouco tonto, por exemplo? E quando serão promovidos? Quando atingirem a apoteose de quem lança frigoríficos sobre camiões com a alegria do removedor de electrodomésticos que já esqueceu as agruras da vida? E porque não transformar as salas de audiências em tabernas, ou vice-versa? E exigir as becas com, pelo menos, meia dúzia de nódoas de carrascão?

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