Insignificâncias

by offarinha

Dizia-me ontem uma professora – daquelas que são importantes nas escolas e, por isso, também avaliam os restantes professores – que estava muito contentinha visto que tinha avaliado apenas um seu colega com negativa. Todos os restantes ou eram bons, ou muito bons ou excelentes. Já aqui há tempos, a Inspecção Geral de Educação informou-nos que mais de 90% das escolas portuguesas também eram boas ou muito boas. Uma pessoa é inteirada de toda esta prodigiosa excelência e pasma quando a confronta com os misérrimos resultados obtidos peloa alunos que frequentam as tais escolas portentosas e são ensinados pelos tais professores nobelizáveis.

A questão já tem vindo a ser aqui abordada e resume-se a um procedimento de legitimação do nada: o Ministério e os seus indispensáveis funcionários legitimam a sua inutilidade assegurando que as escolas que superintendem são magníficas e dirigidas por gente de competência sem mácula. Por sua vez, estes últimos, clones dos primeiros e em conúbio corporativo com a malta dos sindicatos, afirmam com absoluta certeza que os professores que dirigem são igualmente assombrosos. É claro que este país das maravilhas esbarra com os resultados obtidos repetidamente pelos alunos, e que estão longe de ser excelentes, muito bons, bons ou, sequer, suficientes. São, como se sabe, medíocres!

Mas este facto, até porque é exterior ao tal discurso da legitimação do nada, nem sequer é reconhecido como um enigma. Se chega a ser enunciado (o que é improvável, raro e de evitar), é-o como uma irrelevância, um detalhe sem importância, uma excrescência… Ou seja, para toda esta gente, os alunos e os resultados por eles obtidos constituem uma insignificância!

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