Imbecilidades e canalhices

by offarinha

A última imbecilidade que os burocratas que atafulham o MEC engendraram consiste na obrigação de se ler, durante uma aula, a norma 02 do Juri Nacional de Exames. O estimulante documento arrasta-se por sete (!) páginas com letra miúda e mancha compacta, e é constituído por cerca de cem (!) regras que vão desde modos de identificação às cores permitidas nas canetas, do tipo de materiais admissíveis à forma de distribuição de folhas de resposta, das penalizações em caso de fraude ao modo de apresentação do papel de rascunho… Qual será a intenção de quem produziu e autorizou tudo isto? O que pensarão que fica da excitante leitura? O mais hilariante é que os alunos devem, no momento do exame, assinar um documento em que, sob compromisso de honra, declaram que não usarão os telemóveis! Sob compromisso de honra… O que significará isto para um aluno da quarta classe? E porque não exigir, à entrada de um banco, que as pessoas assinem um papel semelhante acerca de armas de fogo? Ou, ainda sobre telemóveis, porque não exigir o mesmo à entrada de um concerto? Ou, atendendo à profusão de tosses nos espectáculos, porque não exigir um atestado de robustez física que declare a inexistência de patologias catarrais? Mas isto são simples preliminares. O orgasmo dos burocratas ministeriais terá, sem sombra de dúvidas, sido atingido quando determinaram que a dita leitura deve ficar registada no livro de ponto!

Interessante é ainda assinalar a forma como estas patetices são acolhidas, e postas em prática, pelas fraldiqueiras que pontificam nas escolas. Como o seu espírito é o mesmo (alguém imagina que mais de metade dos professores de qualquer escola pública ocupa cargos de directores de não sei quantas coisas, coordenadores de outras tantas, responsáveis por isto e aquilo, assessores de tudo e mais alguma coisa, membros de conselhos diversos, numa profusão labiríntica que faria babar de inveja a burocracia do Império Bizantino?), deliram, secreta ou exuberantemente, com o que as retrata na miserável pequenez da sua estatura. De lembrar que a burocracia do MEC é maioritariamente constituída pelas tais fraldiqueiras que conseguiram saltar para o salva-vidas da sua incompetência.

Ainda acerca de ensino. Não é classificável a canalhice que constitui a realização de uma greve no período exames. Algum horticultor sério que passasse um ano a cultivar os seus legumes iria destruir as alfaces no momento da colheita? Ou iria desperdiçar o esforço investido com uma razia, no último momento, nas couves e nos tomateiros? A greve do Sr. Nogueira (há quanto tempo não dá uma aula esta repugnante criatura?) e dos seus sequazes é de uma mesquinhez inqualificável. Greve de fraldiqueiras, apoiada por fraldiqueiras e com motivos fraldiqueiros! O mais curioso é constatar certos contorcionismos dialécticos para a justificar. Um professorinho que publica um blogue com um título extraordinário – A Educação do meu Umbigo (que tipo de cabeça se lembra desta designação?) -, muito em bicos de pés para ver se chega mais acima (confronte-se com o inenarrável Santana Castilho que, uma vez preterido para o Governo, espalha o seu ressentimento por todos os lados), e muito apaparicado pela comunicação social, mostra aqui a massa de que é feito. O malabarismo argumentativo só tem paralelo na tal norma das sete páginas. E a sua vacuidade, inconsistência, irrelevância e fatuidade também. O professor Guinote demonstra exuberantemente que tem ocupado mais tempo com o seu umbigo do que com a ilustração da sua inteligência. E, como todas as fraldiqueiras, prefere as minudências da casuística procedimental à solidez robusta dos axiomas éticos. E, embora tente disfarçar, disfarça muito mal.

Burocracia do Ministério, sindicalistas e fraldiqueiras escolares – eis a tríade que se alimenta com voracidade das suas próprias coisinhas e que se auto sustenta tautologicamente no desprezo pelo que lhes é exterior: deontologia, realidade, civismo, princípios, conhecimento. E o que é espantoso é o papel de um Ministro, cujas ideias são conhecidas e cujos desígnios foram bastamente enunciados, no meio de tudo isto. Que cobardia, que resignação, que desconsolo… Que desilusão!

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