O Conselho da Revolução, civil e geronte

by offarinha

Não vou aqui comentar a figura (triste) a que o Presidente da República se prestou com a convocação do Conselho de Estado. Nem os episódios (ainda mais tristes) entretanto vindos a público. Sinalizo apenas: os padrões éticos de alguns conselheiros; a promiscuidade entre a função de conselheiro e a de comentador televisivo (contratado por isso mesmo ou vice-versa?); o proeminente estatuto que o Presidente decidiu atribuir a esta «coisa em forma de assim»; as semelhanças entre este órgão e o comité central da defunta URSS, a brigada do reumático marcelista e a gerontocracia que governava a China maoista; e, sobretudo, o papel, género Conselho da Revolução, também não eleito, também irresponsável e, sobretudo, composto também por gente que apenas representa a sua própria inanidade, é corresponsável pela situação em que estamos, é cega em relação a isso e pretende a todo o custo perpetuá-la.

As imbecilidades perigosas dos capitães revisteiros do Conselho da Revolução são hoje substituídos, sem qualquer glória ou proveito, pelos artigos e assembleias do Dr. Soares, as parvoices tonitruante do escritor Alegre, os termómetros políticos do Dr. Sampaio, as intrigas do Dr. Marcelo, os recados do Dr. Mendes, os interesses do Dr. Bagão, as entrevistas neurocirúrgicas do Dr. Antunes, as grosserias do Dr. Jardim, as palermices marcianas do Provedor de Justiça e do Presidente do Tribunal Constitucional (destes, só a família lhes conhece o nome). Que pena a Dra. Ferreira Leite, mais a sua metodologia de discussão com a troka à base de gritaria, já não fazer parte desta pandilha!

Esta gente representa o regime, o que ele fez, o que não fez e, sobretudo, o impasse a que nos conduziu. Não é capaz de apresentar uma ideia para sairmos de onde estamos. O que diz, pela natureza do que são e do que pensam, é bastamente conhecido – está a léguas da realidade. A questão, que não tem nada a ver com esta gente, é: o que estará, ou poderá estar, para vir?

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