A Patriarcal

by offarinha

Sigo, à distãncia, sem fé e qualquer espécie de compromisso, as questões relativas à Igreja. Mas a designação de D. Manuel Clemente não deixa de me provocar algumas dúvidas. Em primeiro lugar as suas amplas e justamente reconhecidas capacidades intelectuais são equivalentes ao apreço mainstream entusiasticamente manifestado pela comunicação social do costume. Em segundo lugar, o Prémio Pessoa, corolário sempre citado deste apreço, foi atribuído precisamente pelo mesmo grupo que promoveu cirurgicamnete o caso Carlos Azevedo (repararam que apareceu com a mesma rapidez com que desapareceu?). Finalmente, é este mesmo tipo de consenso de passeata que o actual Papa fomenta com as suas atitudes populistas, com os seus discursos inóquos a favor dos pobrezinhos e da renovação, bem como com a divulgação intencional do vestuário com que se atavia e dos seus hábitos plebeus.

Decerto se trata de uma coincidência. Ninguém acreditaria – nem os exemplos do passado o permitem sequer supor – que a Igreja e o próprio trataram cínica, intencional e meticulosamente de todos os passos para a entronização da personagem patriarcal. Ou, o que é o mais provável, sou eu que não percebo nada acerca das manhas do catolicismo universal nem da ingenuidade da igreja portuguesa.

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