Os doutores são como os chapéus: há muitos.

by jfc

Rui Armando diz que «Quando estava no quarto ano de escolaridade fiz uma série de exames. Para além do exame da quarta classe, que até íamos fazer de gravata ou laço, havia o exame de admissão ao liceu ou à escola técnica. Isso não me trouxe muita vantagem para a minha vida».

Ah!, quase me esquecia de dizer que o doutor Santiago é formadíssimo em Ciências da Educação, essa coisa abstrusa, que não é Ciência nem Educação.

Poderia fazer como ele faz e dar-me como exemplo. Mas inverso. Tenho a certeza de que o exame da 4.ª classe e de admissão ao Liceu foram momentos muito importantes para a minha formação e foi uma experiência vantajosa em situações futuras.

Poderia citar vários autores, como Roger Scruton, que fala sobre a infantilização resultante da ausência dos ritos de passagem. Poderia invocar a minha (e a de outros) experiência de professor (dupla experiência, pois tive ocasião de me enfurecer variadíssimas vezes com as ditas ciências da educação durante a «profissionalização», mas isso fica para outra oportunidade). Poderia até tecer considerações sobre o papel positivo da angústia na aprendizagem…

Mas nada disso! Bastará dizer que uma filha vai fazer amanhã exame da 4.ª classe. Devia ver o Senhor Doutor quão orgulhosa ela está. Vai à escola importante fazer uma prova importante, para a qual se anda a preparar intensivamente na escola e em casa. Sem dramas.

E, ao contrário das gravatas e laços traumatizantes de Rui Armando, insiste em levar uns ténis novos, cor de rosa.

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