Monsieur Sègurô

by jfc

Aqui há uns meses, Seguro vestiu o seu melhor fatinho cinzento, pôs a sua gravata azul clara mais azul clara e foi a França receber in loco a «lufada de ar fresco» que dava pelo nome de François Hollande. Recebido na antiga residência de Madame de Pompadour, o Palácio do Eliseu, Monsieur Sègurô embandeirou em arco e, arvorando aquele ar solene de quem nunca fez chichi nas calças, deu-se como exemplo de homem de Estado.

Nessa sua iniciação ao papel de Jeanne-Antoinette Poisson, inebriado pelo ar fresco e pelo perfume de sofisticação francesa, declarou a identidade de pontos de vista entre Hollande et soi-même, frisando quanto o encontro fora produtivo enquanto olhava o infinito (leia-se, o futuro político de sa personne).

Uns meses depois desse feliz encontro (e após a França, através de Alain Juppé, entre outros, ter elogiado a política governamental portuguesa), Seguro declara-se pronto, em congresso. Esperei ver Luís XV, no dito congresso, a côté de son enfant. Mas nada. Nem Luis, nem François. Nessa anedota apenas entraram um português, um espanhol e um alemão.

O socialista francês presente no congresso foi apenas o delegado nacional para o Mediterrâneo. Obviamente não conta, ou pelo menos conta menos que o pesado pelotão chinês: «Do Comité Central do Partido Comunista Chinês estarão presentes o Director do Centro de Investigações de Documentos, Leng Rong, a Sub-Directora Geral do Departamento Internacional, Yu Xiaoxuan, o Sub-Chefe de Divisão do Centro de Investigações de Documentos, Wang Jianwu, o Sub-Chefe de Divisão do Departamento Internacional, Ouyang Xuemei. Também o  Primeiro Secretário da Embaixada, Hao Qingzhu, integra a delegação chinesa».

Dizem os jornais que, se houvesse eleições agora, Hollande não garantiria a reeleição, contestado pelas políticas de contenção e austeridade  a que foi obrigado – malgrè lui.

Sègurô, agora já no papel de Madame d’Etioles, pelo contrário, declara-se pronto para avançar. E chora, cheio de ternura por si próprio.

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