Dia do Livro?

by jfc

Ouvi num noticiário radiofónico uma reportagem sobre a abertura de uma nova Biblioteca Municipal, em Lisboa.
Nela, na reportagem, foi ouvido um senhor responsável, que disse ser esta a primeira experiência (primeira de muitas que se seguirão, note-se) de formação de uma biblioteca feita «auscultando as populações», no sentido de perceber o que lhes interessa encontrar na sua biblioteca.

Tentei aprofundar a metodologia seguida neste processo, mas a internet, sempre tão solícita, não se descoseu e apenas encontrei a notícia da inauguração prevista para hoje.

Não duvido da excelência do «espaço» – para avós, netos e toda a família – e dos «equipamentos» – tablets, playstations, smartphones são apontados como exemplo. São tudo coisas extraordinariamente indispensáveis numa biblioteca, como é sabido.

Só ainda não percebi a forma de constituir um fundo com base na auscultação da comunidade. E vou estar atento. Mas uma pergunta baila-me na cabeça: será que eu alguma vez me teria deixado fascinar pelo aspecto maciço dos três volumes de a Guerra e Paz se tivessem auscultado os meus anseios aos 16 anos de idade? Será que alguma vez teria descoberto na Biblioteca Itinerante da Gulbenkian os romances de Dickens se tivessem auscultado os anseios e expectativas dos meus conterrâneos?

Será que esta gente não percebe que uma biblioteca não é uma espécie de «lar de dia»?

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