Paralelas assimétricas

by offarinha

Um figurão obteve um grau académico suspeitíssimo numa Universidade(?) ainda mais suspeita. Aqui há uns anos aconteceu exactamente o mesmo com outro figurão. Ambos pertenciam ao Governo. Os paralelismos terminam aqui.

As moscambilhas do primeiro meliante e da respectiva Universidade(?) foram devidamente investigadas, o caso vai para o sítio onde estas coisas devem ser julgadas e a criatura teve de ir para casa. As segundas foram sujeitas a uma tão vaga quanto inconclusiva investigação e, depois, devidamente abafadas – a critura continuou no Governo, passou por Paris e agora aterrou na televisão.

Aquilo que os comentadores e jornalistas designam por «gestão política» e «gestão de comunicação» não é mais do que o atafulhar os gabinetes ministeriais e as empresas públicas (e algumas privadas a precisar de favores) com a malta das distritais e concelhias do partido, e cujo mérito se mede unicamente pela respectiva capacidade de defenderem ferozmente – e sem exclusão de qualquer método – o Governo, na exacta medida em que defendem a sua própria sobrevivência e o seu tacho. Para isso, e entre outros mimos, tentam condicionar a «agenda», leia-se, o que aparece na imprensa sempre tão permeável a esta gente. No primeiro caso foram ineficazes; no segundo, não.

No primeiro caso, a criatura era de um partido de Direita e, no segundo, era do PS. Toda a gente sabe da ligação umbilical dos socialistas à ética republicana e o seu exclusivo em questões de elevação moral, benfeitoria social e desapego.

No primeiro caso, quem tratou do caso chama-se Nuno Crato; no segundo, Mariano Gago.

De regresso ao paralelismo. Como a moda dos comentadores televisivos/políticos falhados deve estar para durar, num destes domingos, a criatura que ontem se foi embora ainda regressará para ombrear, com os outros que já lá estão, em robustez intelectual, sofisticação política e nobreza de carácter. Para isto, os títulos académicos são irrelevantes.

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