Tudo por causa do novo Papa

by jfc

Devo ao novo Papa o facto de ter visto ontem o telejornal. Na SIC.
A reportagem sobre o debate parlamentar fez-me lembrar o tempo em que os espectadores do futebol iam para o estádio de transístor e ouviam o relato ao mesmo tempo que assistiam ao jogo.
Ouvíamos as palavras de Passos Coelho e uma fracção de segundo depois as conclusões irónicas ou sarcásticas do repórter, desdizendo ou complementando a seu gosto – sempre com o toque engraçadístico da regra – o que o primeiro-ministro acabara de dizer.
Os relatadores de futebol do tempo do transístor provocaram não poucas invasões de campo ao incitarem a massa espectadora à indignação e ao ataque, e, esta, muitas vezes reagia mais prontamente à veemência do locutor do que à realidade que tinha diante dos olhos. Como se os olhos do locutor possuissem dons que os seus não possuíam.
Em suma, o repórter parlamentar da SIC, sagaz exegeta do discurso político, gosta de fazer de nós estúpidos. E a tristeza maior é que há quem  assuma o papel com gosto. Não, minto! Tristeza ainda maior é a figura a que a senhora presidente da Assembleia da República se presta.

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