Serviço público (2)

by offarinha

No seguimento deste post, sou a informar com regozijo que, após sete dias úteis de labor empenhado, a empreitada foi concluída com sucesso. Como os três bravos infantes nunca deixaram de observar o seu frenético horário e, por isso, não conseguiam avançar diariamente mais que uns escassos metros, nos últimos três dias juntou-se-lhes a cavalaria, na pessoa de mais um funcionário, este montado num tractor equipado com inúmeros e ruidosos maquinismos. O horário foi o mesmo, decerto para não desgastar excusadamente o material.

Façamos o balanço. O terreno ocupa sensivelmente a área de um campo de futebol. Nâo se situa numa escarpa alpina, nem a vegetação era amazónica – umas vagas ervas a dar pelos joelhos. Os trabalhadores, mesmo antes da chegada do tractor, não usavam os dentes, ou as mãos, ou ceifas, ou catanas – usavam uns instrumentos mecânicos de aspecto sofisticado. Aplicando ao caso uma aritmética básica, 120 horas foi o tempo dispendido na função (trabalho efectivo, cerca de 30 horas).

Brava EMAC! Não fosse esta mais uma empresa pública, cujos dirigentes parecem reger-se por princípios de irresponsabilidade e de impunidade administrativa e financeira, atrever-me-ia a sugerir-lhes que reflectissem sobre isto. Aos esforçados trabalhadores, limito-me a sugerir que, nos inúmeros vagares proporcionados pelo seu horário, matem o tédio a ensaiar umas cantigas. Sempre pode ser útil em caso de visita de quaisquer malandros opressores capitalistas.

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