Mais cantorias

by offarinha

Passando os olhos pelos telejornais da hora do almoço, lá ficámos a saber que quatro bravos indignados quatro entoaram de novo a tal cantilena, interrompendo o Ministro da Saúde na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Não ficámos a saber ao que o Ministro ia, nem o que disse. Não era para isso, obviamente, que os jornalistas lá estavam. Findo o acto de variedades, logo se precipitaram para recolher mais declarações. E os representantes de si próprios, bem como da malta do costume, lá debitaram as inanidades do estilo.

Também se pôde relembrar a excitante cena de ontem no ISCTE. Na SIC Notícias, depois das imagens da brava actuação da claque de futebol, tratada com o respeito devido a um quarteto de cordas, tivemos direito a seis entrevistas a uns jovens, cujo semblante carregado de ódio e discurso fanático traziam à memória os saudosos (para eles, claro!) Guardas da Revolução Cultural.

Quando entrevistaram o observador Boaventura Sousa Santos, e ele começou com as justificações da praxe num enquadramento político-contextual do sociologês de pacotilha, esgotou-se-me a paciência e desliguei a televisão.

Acerca da simpatia e compreensão dos jornalistas por este tipo de terrorismo, já tudo foi dito no post anterior. Tenho dado conta de raras excepções, algumas vindas de gente insuspeita como os socialistas Santos Silva e Sérgio Sousa Pinto, a condenarem estes acontecimentos e o que eles representam de desrespeito pela liberdade de expressão (mas esta gente só defende a sua liberdade de expressão) e pelas regras democráticas (mas esta gente sempre detestou a democracia).

O que irrita, para além da compreensão e simpatia, é o clima de impunidade em que tudo isto se passa. Apenas um exemplo. Os dois casos acima relatados ocorreram em instituições de ensino. O que têm a dizer os seus responsáveis? Eu, se convidar alguém a visitar-me em minha casa, e ele aí for insultado por algum dos circunstantes, das duas uma. Ou o circunstante é mandado calar e posto na rua, ou o circunstante é mandado calar e posto na rua depois de levar um par de sopapos, literais ou metafóricos. Em ambos os casos, nunca seria dispensado o óbvio pedido de desculpas ao ofendido.

Mas, para se perceber bem o clima vigente entre protestantes, jornalistas e Boaventuras de toda a sorte, o melhor é ler este elucidativo comentário.

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