Modus operandi

by jfc

Um blogue dedicado a questões editoriais publicou, não há muito tempo, uma série de entrevistas com gente do meio. Em cada uma delas se perguntava ao entrevistado o que gostaria de perguntar ao Secretário de Estado da Cultura. A maioria esmagadora das respostas poderiam ser resumidas numa só: «Quando voltas, Francisco?».

O Francisco, cuja acção como editor muito estimo, finalmente voltou para entre os seus. Por questões de saúde, disse. Ninguém acreditou muito, como é costume nestas coisas, conhecidas que são as dolorosas manifestações somáticas dos apertos da mente.

Após ter tido alta e de ter convalescido convenientemente, o Francisco voltou às lides escrevendo uma carta a um ex-colega do governo em que manisfestava a sua firme determinação em mandar levar no traseiro algum fiscal que o inquirisse sobre posse de facturas.

De facto, esta brilhante ideia de fugir a controlar os potenciais emissores de facturas, como os advogados, para em vez disso controlar os seus eventuais clientes, é um sinal absolutamente detestável.

O que irrita não é a contestação da medida, o que irrita é o Francisco ter anunciado deste modo o seu regresso do território governativo a que se acolheu durante uns meses, apelando à simpatia dos intelectos ululantes e do jornalismo ressoador. E o que irrita é que parte do apelo é constituído pela fórmula «contra o governo» e parte pela escolha da linguagem. Sucesso garantido. Já pode candidatar-se a besta célere, que era como Tomaz de Figueiredo gostava de designar os best-sellers.

Preferia que o Francisco tivesse, serenamente, feito o balanço da sua quase nula acção governativa e tivesse confessado o fracasso, saturação, embaraço, desilusão,  divergência, comichão, o que fosse. Para não ter que vir, nesta altura, esbracejar na praça pública para avisar o inimigo que insultará o mensageiro que lhe aparecer à frente.

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