Serviço Público

by offarinha

Um tipo é acordado com estrépito às sete da manhã. Ainda aturdido, vai ver o que se passa e divisa três indivíduos aos gritos e a descarregar de uma camioneta uma série de tralhas. A camioneta retira-se e os indivíduos permanecem aos gritos até às oito. Aí começam a trabalhar! Vão desbastar a vegetação de um terreno com a dimensão, vamos lá, de um estádio de futebol. Um pega num saco e, em passo mesurado e grave, respiga papéis e lixo avulso. Os outros dois desbastam energicamente as ervas com umas máquinas. Pelas oito e quarenta, suspendem a função e dedicam-se a uma charla (aos gritos) durante uma hora. Retomam afanosamente o seu labor até às dez e dez. Nova pausa de cinquenta minutos. Por volta das onze e meia, nova e agora definitiva paragem. Pouco depois a camioneta recolhe-os e às máquinas para, decerto, os conduzir ao merecido repouso depois de tão extenuante jornada.

Isto já dura há dois dias e, decerto, está conforme aos exigentes critérios de organização de trabalho da empresa a que pertencem. Como tinham uns coletes com umas indicações, fiquei a saber que se tratava da Empresa Municipal (era inevitável!) de Ambiente de Cascais (EMAC). Durante as duas cansativas jornadas, o nibelungo do saco tê-lo-á enchido a um terço. Os outros dois, e mantendo a comparação com o estádio de futebol, ainda não sairam da grande área.

Um cidadão não pode deixar de reflectir, comovido: ora cá estão as virtudes do serviço público que não sacrifica a produtividade ao bem estar do trabalhador! Ou de associar este prodigioso modelo ao das empresas públicas de transportes cujos trabalhadores, nos reduzidos intervalos das greves, lá condescenderem em transportar alguns utentes.

E ainda há quem se espante por, quando ouço falar de serviço público (central ou municipal ou empresarial), ir logo à procura dos zagalotes!

Apostila – Por curiosidade fui consultar o sítio da tal EMAC. Informa que ocupa os vagares de 537 trabalhadores(?).

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