O aniversário de Carlos Brito

by offarinha

O aniversário de Carlos Brito provocou-me um calafrio. E não foi por causa de ver emparceirados todos aqueles tipos da esquerda cediça que prega uma unidade à Aires Rodrigues/Carmelinda Pereira (o que une Pina Moura, Lino e Mendonça a Borges Coelho e Mário de Carvalho?); nem pela simbólica e penosa passagem de testemunho do pretérito imperfeito Jorge Sampaio e do eternamente derrotado Alegre ao futuro condicional Carvalho da Silva; muito menos pelas divertidas entrada por saída de Seguro e saída sem entrada (anunciada) de António Costa; nem pela cobertura noticiosa untuosamente subserviente aos ditames desta gente que recorda as reportagens sobre as inaugurações do Dr. Afonso Marchueta ( personagem secundária hoje esquecida mas que seria proveitoso recuperar, quer para o estudo dos tiques do Estado Novo quer, sobretudo, para uma reflexão acerca das continuidades mentais do nosso jornalismo).

O calafrio teve a ver com as declarações do próprios Carlos Brito em vários orgãos de comunicação. Diz ele que a sua família continua a ser o PC, que é com as suas propostas que se continua a identificar e, não fora o pormenor de serem sectários, no essencial têem mais razão que o resto da malta de esquerda. Aí lembrei-me dos milhares que, durante as purgas estalinistas, antes de receber o tiro fatal davam vivas ao partido e ao camarada Estaline. E, entre nós, do tristíssimo Júlio Fogaça, nos anos setenta, a concorrer como «independente» nas listas do PC/APU a um município de província depois do miserável tratamento que lhe tinha sido aplicado.

É claro que os camaradas Jerónimo de Sousa e Arménio Carlos, seguindo o camarada Cunhal e o superior modelo de Estaline, ignoram com sobranceria e desprezo estas delicodoces manifestações de sentimentalismo burguês. A cabeça e o carácter de toda esta gente são muito estranhos. A memória construída por eles é perigosíssima. Terem intervenção pública de relevo e, em 2013, sem qualquer escrutínio provoca calafrios.

OFF

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